Durante os meses de maio e junho foi desenvolvido na cidade de Souzel - Pará, pelos educandos do curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo - LPEC 2013 [Cely Kalynne Gil Nunes e Erick Francisco Gaioso Machado] da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - Campus Marabá, o Plano de Ação: Retalhos de Uma História, como culminância do Trabalho de Pesquisa Sócio-Educacional III do curso que fazem. A pesquisa foi orientado pela Profª Msc. Maura Pereira dos Anjos. O projeto tinha como objetivo geral:
Ø Conhecer
a história do município de Senador José Porfírio-PA, para reavivar memórias dos
acontecimentos importantes e das influências religiosas e definição de traços
culturais com alunos de duas escolas que trabalham o segundo segmento do Ensino
Fundamental, para que os mesmos reconheçam-se como parte integrante e
componente da continuidade histórica do lugar onde vivem.
1.
Justificativa
O
município de Senador José Porfírio, cuja sede possui o nome de Souzel, já foi
considerando o maior município do Pará, constituído por terras descontínuas tem
uma história secular regida por momentos distintos que se caracterizam por
grandes mudanças e fatos que a maior parte da população local desconhece e que
com o tempo está sendo deixada para trás e sendo esquecida. Localizado na
região do Baixo Xingu, este município foi palco do inicio de grandes jornadas
religiosas, ainda no inicio do século XVI, que dão características únicas e
necessárias de serem lembradas para que a população ribeirinha compreenda sua
história e suas origens de maneira que se reconheçam e assumam essa identidade.
A
história do atual município de Senador José Porfírio, está relacionada com o
antigo município de Souzel em que a Companhia de Jesus por meio das missões
jesuítas fizeram os primeiros contatos com os povos indígenas chamados Aricari
existentes na região. Ali se estabeleceram, abriram estradas fazendo a ligação
entre essa missão e a outras localidades. A origem do nome de Souzel é
portuguesa. Este município foi criado por meio da Lei nº 811, de 14 de abril de
1874, data esta que é lembrada por todos os munícipes devido à homenagem feita
com o nome da data em que vigorou a lei de criação do município a uma das mais
antigas e principais ruas.
Por
sua grande extensão territorial, foi feita uma divisão administrativa para a
criação e o estabelecimento de um Governo Municipal. Com isso, Souzel foi
desmembrado dando origem ao município de Xingu, com sede na cidade de Altamira
que tinha maior numero de habitantes e devido a extração da borracha. Na
divisão administrativa, o município de Xingu que posteriormente teve seu nome
alterado para Altamira, era composto por onze distritos, entre eles o de
Souzel, que ficou pertencendo ao território de Altamira até 1938.
Em
face do Decreto da Lei nº 2.972, de 31 de março de 1938, Souzel foi extinta,
vivendo um momento de grande fragilidade devido a grande quantidade de pessoas
que contraiam doenças endêmicas como a malaria e hanseníase. Na época, Anselmo
Batista, enfermeiro ganhou credibilidade com a população, candidatando-se e
sendo eleito cinco vezes pela região de Souzel, como vereador de Porto de Moz,
da qual Souzel era distrito.
Em
1955, houve uma tentativa de desmembrar Porto de Moz e constituir os municípios
de Souzel e São Félix do Xingu, que foi considerado inconstitucional pelo
Supremo Tribunal Federal. Mais tarde, conforme a Lei nº 1.127 de março de 1955,
Anselmo Batista fez uso da sua influencia política para restaurar Souzel à
categoria de município, fato que ocorreu em 29 de dezembro de 1961. O nome de
Senador José Porfírio foi colocado como homenagem ao avô do vice-governador que
fez a instalação da categoria de município tendo a homenagem como condição de
sua ação, porém, Anselmo Batista, relutante manteve o nome da sede da cidade
como Souzel, como até hoje é conhecida.
O
trabalho será executado na E.M.E.F. Jorge Queiroz de Moraes Neto que funciona
desde o ano de 2000 e atende os alunos da periferia da cidade em três turnos,
ofertando o Ensino Fundamental do primeiro e segundo segmento e Educação de
Jovens e Adultos – EJA e o ANEXO da E.M.E.F. Rosa Alvarez Rebelo recém-construída
e maior escola do município em número de alunos, que está em seu primeiro ano
de funcionamento, ofertando o primeiro e o segundo segmento.
É
de suma importância dar continuidade a esta história dentro do espaço escolar,
fazendo com que crianças, professores e comunidade pensem em sua história,
experiência e busquem revivê-la.
Através
das memórias recontadas, revividas, será possível fazer com que os estudantes
valorizem o patrimônio cultural e o publico que também a eles pertencem. Esta é
a possibilidade de por meio de um trabalho escolar, a criança e o adolescente
dialogarem sobre sua história com seus pais ou com pessoas da sua comunidade
para assim conhecer suas raízes. Essas situações trarão narrativas, narradores
e a experiência daquele momento.
A
lembrança dos que “ontem” fizeram história e que tem saudades desses momentos, de
se sentirem valorizados ao reviverem as experiências que tiveram, de saberem
que estão fazendo parte da reconstrução histórica como cidadão. A nostalgia
desses momentos pode despertar um lugar dentro do momento atual desses
narradores que hoje em determinada idade não se veem dentro da comunidade por
não se identificarem ou por pensar que “bom foi antes e hoje não é”. Reavivar uma história secular, passando-a de
geração em geração, para que os discentes venham valorizar e conservar as
memórias do lugar onde residem.
Produzir
um momento de reconhecimento de que história não começou na instalação da
categoria município, mas ainda bem antes quando nesta região do Xingu, apenas
tinham como primeiros moradores, os indígenas. Na perspectiva de esclarecer e ampliar
o entendimento dos estudantes sobre o lugar em que vivem, de modo que possam
compreender o histórico sociocultural e ambiental em que estão inseridos. Com
isso, obter informações diferentes sobre histórias contadas e recontadas, de
modo que haja a valorização cultural das raízes históricas do município,
Trabalhar
com infância e juventude a própria história implica o reconhecimento das
atividades pedagógicas relacionadas às disciplinas de cunho, religioso,
artístico e da língua materna. Neste sentido a história não significa apenas
conhecer fatos passados, mas distinguir aspectos essenciais de compreensão da
atualidade. A dinâmica do conhecimento do lugar onde se vive, tem haver com
aprendizagem que envolva a vontade de aprender e o rigor em estudar a própria
história de vida, tendo como mediação da aprendizagem a arte em suas várias
perspectivas: dança, teatro e pintura, a religiosidade pelos símbolos e festas
religiosas tradicionais, na Língua Materna pela construção de narrativas,
crônicas e poesias.
Desenvolver
a pesquisa socioeducacional por intermédio de plano de ação é mostrar para a
comunidade escolar toda riqueza exprimida do contexto de vivências, construir
matérias a partir de dados históricos, selecionar leituras e buscar elementos
para implementação do produto final como a produção escrita, elaboração de
livros artesanais, manifestações culturais, invenção e reinvenção da história
do município, apropriação de imagens contextualizadas e posteriormente
socializar com a comunidade.
Desta forma o Plano de Ação foi desenvolvido obedecendo a linearidade das seguintes etapas:
1ª etapa: Levantamento e análise dos dados históricos;
2ª etapa: Produção e recriação da história por intermédio da literatura em prosa e poesia de acordo com a linguagem e a idade dos discentes para torná-la diferente e atrativa; e túnel do tempo por meio de exposição de fotos, imagens e símbolos que retratem os vários momentos históricos do município;
3ª etapa: Oficinas com os alunos sobre a história do município, e recriação da própria história dos alunos dentro do contexto atual em prosa (narrativas, crônicas), poesia e ilustrações, assim como a dramatização fatos ocorridas ao longo desta história secular como: a chegadas dos jesuítas, a travessia de uma margem para a outra, a com a utilização de lista frequência dos alunos participantes com painéis avaliativos;
4ª etapa: seleção dos materiais produzidos e confecção do material bibliográfico, editoração e produção do livro;
5ª etapa: Socialização com intercâmbio entre as duas escolas com a participação dos moradores do município convidados formalmente (instituições) e também por intermédio de folders e avaliação através de depoimentos e painel interativo.
Foi um desafio colocar em prática, pois a equipe foi reduzida devido acontecimentos naturais e problemas pessoais. O tempo também não foi parceiro sendo assim, o plano foi desenvolvido em apenas uma das escolas que ofertam o segundo segmento, alunos de 18 turmas, que produziram textos, desenhos, tiraram fotografias, dramatizaram, cantaram, dançaram, pesquisaram lendas e muitas outras atividades colocadas em pratica dentro da disciplina de Artes ministrada pela professora Simone Carla.
Fotos dos alunos na execução das atividades e produção do material para a socialização:
Apesar das dificuldades o Plano de Ação aos poucos foi ganhando formas e parceiros que contribuíram bastante para o acontecimento do momento de Socialização que aconteceu no domingo, 8 de junho de 2014, com inicio as 19:30, e que contou com a presença de pais, alunos, professores e da população que aplaudiu e sorriu com desempenho dos alunos nas apresentações.
Fotos da Socialização:
Roda de Conversa sobre a origem da história de Sousel
Porongada: lembrando os seringueiros da região
Apresentação do Carimbó: dança cultural
Teatro sobre a origem do nome do Igarapé Nazaré
Expectadores
Dança do Gambá - Tipica da cidade
Alunos cantando o Hino da cidade
Varal de Poesias
Exposição Fotográfica
Publico
Apresentação de Alunos
Mãe de Aluna lendo poesia
Teatro da travessia do rio Xingu para a margem direita, imagem do senhor morto e perda do sino de ouro.
Menino representando imagem do senhor morto
A conclusão dessa pesquisa se deu graças ao esforço de uma equipe reduzida que em meio a todas as dificuldades conseguiram com exito pôr em prática o que estava no papel. Realizando um momento diferente onde a população souzelense juntamente com suas famílias pudessem participar, tendo como foco principal fazer com eles pudessem reconhecer esses retalhos da história que forma recontados, relembrando assim a memória de muitos que ja passaram pelo município e ressaltando a importância de não ser apenas mais um dentro da cidade e sim um produtor participante da história.
Por Erick Machado.





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